O Programa Especial de Treinamento – PET foi criado em 1979, pelo Professor Cláudio de Moura Castro, diretor geral da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Objetivo apontado pelo referido Professor citado por Müller (2003): “A criação de um grupo de elite, de um grupo selecionado, é a criação de uma meritocracia pura e simples dentro de uma universidade de massa. (…) Ele [o PET] foi feito para criar uma elite intelectual. Acreditando que uma elite intelectual tem consequências econômicas e sociais depois de formada”.

No dia 01º de abril de 1983, o Ceará é privilegiado pela criação de três grupos PETs, todos na área de engenharia, sendo Elétrica, Mecânica e Civil. Entretanto, por infortúnio de percurso, os PETs da Civil e da Mecânica são desativados nos anos seguintes, deixando o da Engenharia Elétrica o único a existir sem intempéries.

Em 1994, FHC assume e Presidência da República e indica Paulo Renato de Souza como ministro da Educação. Uma nova direção assume a CAPES: Abílio Baeta Neves (presidente) e Luiz Voacow Loreiro (diretor de programas da agência). A nova direção põe em dúvida o potencial do PET e encomenda, em 1997, a primeira avaliação externa do Programa. O Núcleo de Pesquisa do Ensino Superior da USP (NUPES/USP), sob a coordenação da Professora Elizabeth Balbacheusky, foi o responsável pela pesquisa.

Até então, as avaliações do PET eram internas, aconteciam dentre da CAPES através de relatórios e planos de atividades. A pesquisa foi realizada com 60 dos 255 grupos PETs, tendo como instrumento de coleta de dados a entrevista, que foi realizada com alunos bolsistas ou não e bolsistas de iniciação científica, bem como com tutores e professores que colaboravam ou não com o Programa. O relatório da pesquisa, intitulado “O impacto do Programa Especial de Treinamento”, avaliou o PET de forma satisfatória.

Não satisfeita com os resultados do relatório, a direção da CAPES encomendou outra avaliação externa, que seria realizada por uma comissão formada por três tutores, que eram consultores de área do programa, mais três professores sem vínculo com o PET. A pesquisa foi realizada com 144 grupos PET. O parecer final da comissão foi positivo, confirmando os resultados do relatório coordenado por Balbacheusky. Em dezembro de 1997, a CAPES reduziu em 50% o número de bolsistas e as taxas acadêmicas, ao mesmo tempo em que cortava as verbas destinadas ao recurso do professor recorrente e a bolsa anual do mestrado oferecida ao melhor petiano.

Em março de 1998 a CAPES anuncia o corte de 30% nos recursos anuais alocados pelo PET. A comunidade petiana – cerca de 400 petianos de diferentes universidades – reagiu à medida através de uma manifestação realizada no dia 12 de março de 1998, em Brasília. No dia 17 de março a CAPES anunciou que corte nos recursos anuais alocados pelo PET seria de apenas 10%. Isso garantiu o pagamento das bolsas tanto para os bolsistas, como para os tutores. Contudo o orçamento para o ano de 1999 não tinha sido discutido. Em 02 de dezembro de 1998, nova manifestação em frente ao Palácio do Planalto. Aproximadamente de 400 bolsistas. Reunião para discutir o orçamento/1999.

Para organizar o movimento, são criados os seguintes espaços de informação e discussão: a página “PET-Reage: a Resistência”, pelo grupo PET – Informática da UFSM, contendo informações sobre o Programa; um chat , pelo professor Luiz Eduardo Carvalho, em que os membros da Executiva Nacional eram convidados a discutir a situação e avaliação do PET; e a lista de e-mail PET-Br, pelo grupo PET- Engenharia Elétrica da UNESP. Em março de 1999 a CAPES anuncia a extinção do PET.

Em setembro do mesmo ano, quase mil e quinhentos bolsistas, realizaram uma grande manifestação no Palácio do Planalto, no mesmo momento em que o presidente FHC recebia o líder da Namíbia. Dizem que o PET saiu até na CNN. Em 11 de novembro de 1999 é revogado o ofício que extingue o PET e este continuou existindo/resistindo na SESu. Em 22 de novembro de 2000, nova manifestação foi marcada em conjunto com a audiência pública realizada na Comissão de Educação do Senado. Depois da extinção do PET, o orçamento do Programa passou a ser aprovado através de emendas parlamentares. Em 23 setembro de 2005, o PET é regulamentado pela Lei nº 11.180. (orçamento garantido).

Por fim, em 1º de abril de 2013, o PET -Engenharia Elétrica UFC completou 30 anos, sendo o PET mais antigo do Nordeste.